Como estão as mulheres empreendedoras no Brasil?

Mesmo com o fechamento de milhares de empresas no Brasil devido ao isolamento social, as mulheres fecharam o ano de 2020 com um crescimento de 40% no empreendedorismo feminino, segundo dados da Rede Mulher Empreendedora. A projeção também está aliada ao fato de que, na maioria das vezes, elas são as principais vítimas das demissões.
O maior número de novas empreendedoras está na faixa etária de 22 a 35 anos e os negócios estão voltados, principalmente, para serviços nos ramos da alimentação, beleza, estética e moda. Ao todo, elas já somam mais de 30 milhões no Brasil, de acordo com a Global Entrepreneurship Monitor, o que representa 48,7% do mercado nesta área.


Essas estatísticas mostram o papel importante que a mulher tem na economia. Isso é força de trabalho e de consumo. Não ocupamos mais o papel de coadjuvante na economia porque já somos protagonistas e, o que nos falta é mais representatividade dentro do governo para que mais políticas públicas sejam feitas a nosso favor.


Entretanto, embora haja crescimento, esse patamar não foi alcançado porque o país oferece oportunidades, mas por uma questão de necessidade. Logo, boa parte delas não têm recursos próprios para investir no pequeno negócio. Podemos chamar muitas dessas empreendedoras de ‘filhas da pandemia’ e que foram para o caminho do empreendedorismo por uma extrema necessidade de obter renda.


De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 43% dos lares brasileiros são sustentados por mulheres. A pesquisa aponta que apenas o número de empreendedoras nascentes — com até três meses de atividade — subiu. Já o de novas empreendedoras, que têm de 3 meses a 3,5 anos de operação, caiu 35%.


Como procuradora na Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, como parlamentar que trata das causas femininas como bandeira e sobretudo, como mulher tenho trabalhado para mudar este cenário. Apresentei o Projeto de Lei 2589/2021, no qual sou de coautora, que institui o Programa Crédito da Mulher no âmbito das instituições financeiras oficiais federais e dispõe sobre medidas para o fomento ao empreendedorismo feminino por meio do crédito, alterando ainda as Leis 8.029/1990, 13.483/2017 e 13.999/2020 para aumentar a oferta de crédito em condições acessíveis às mulheres empreendedoras e estimular o desenvolvimento econômico e social brasileiro.
Queremos assegurar, nas políticas de concessão de crédito, prioridade e condições facilitadas, inclusive taxas de juros reduzidas, para o financiamento de microempresas e de pequeno porte controladas e dirigidas por elas.


Os bancos públicos e as políticas governamentais são essenciais para melhorar a inserção produtiva e financeira das mulheres, criando projetos libertadores do ponto de vista econômico. Torna-se necessário haver programa específico e planejamento sério para a inclusão das mulheres no mercado de crédito, especialmente para aquelas que se dedicam aos pequenos negócios. Além disso, devem ser postos à disposição das mulheres mecanismos adequados para que ocorra capacitação nas atividades empreendedoras e expansão empresarial e nos investimentos.


O empreendedorismo feminino desempenha um papel importante para reduzir as diferenças entre as oportunidades de crescimento na carreira para homens e mulheres. Além disso, favorece a diversidade de negócios, graças às perspectivas inovadoras identificadas pelas empreendedoras.

Maria Rosas, deputada federal – Republicanos São Paulo

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